Melasma: como tratar?

Uma das principais queixas no nosso consultório, o melasma é um tipo de mancha amarronzada que surge em áreas expostas ao sol, principalmente na face. Ocorre com mais frequência nas mulheres, especialmente nas de pele mais morena.

Existem diversos produtos e métodos para combater o melasma, porém o seu tratamento é um desafio, já que a doença apresenta muitas vezes, curso refratário e recorrente, com reaparecimento das manchas após a melhora.

Na maioria das vezes, em busca de melhores resultados, o dermatologista combina estes tratamentos. Conheça os principais:

1. Proteção solar – Os filtros solares são fundamentais no tratamento do melasma. Um único dia de descuido pode colocar a perder os resultados obtidos com meses de uso de produtos clareadores. Os filtros com cor de base são mais efetivos na proteção contra a luz visível, aquela emitida pelas lâmpadas e refletores. No dia a dia, quem tem melasma deve repassar o filtro pelo menos 3 vezes ao dia. A proteção solar pode e deve ser usada durante a gestação e o aleitamento.

2. Clareadores – Ativos como hidroquinona, arbutin, ácido kojico, vitamina C e muitos outros podem ser usados em produtos combinados com os ácidos para aplicação noturna. O uso dos clareadores é sempre recomendado no tratamento do melasma e a resposta aos produtos tópicos é lenta e gradual. É importante não esperar resultados milagrosos e rápidos, mas insistir no tratamento. Alguns deles podem ser usados durante a gestação e o aleitamento, como a vitamina C. Porém a hidroquinona é proibida neste período.

3. Ácidos – promovem a renovação celular e estimulam a formação de colágeno, além de facilitar a penetração, através da pele, de outros agentes com funções clareadoras. Devem sempre ser prescritos por um dermatologista. Quando mal usados, podem levar a irritações da pele e com isso piorar as manchas. O único ácido que, comprovadamente, pode ser usado no período da gestação e aleitamento é o ácido azelaico.

4. Ativos via oral – algumas substâncias orais auxiliam na proteção da pele, contribuindo para o tratamento do melasma. São produtos eficientes para serem usados como adjuvantes, não substituindo o uso do filtro solar e das medicações tópicas. Os ativos mais usados são o Polypodium leucotomos, Picnogenol, luteína e outros antioxidantes, como o licopeno, ácido tranexâmico, ácido ferúlico e as vitaminas C e E. Como não existem estudos em grávidas, estas substâncias de uso oral não são recomendadas durante a gestação e o aleitamento.

5. Peelings químicos – fazem parte do arsenal terapêutico, sendo os de ácido retinóico uma das opções com resultados satisfatórios. Como o melasma é um quadro que pode piorar por irritação e inflamação na pele, os peelings mais agressivos não são recomendados. Mesmo os superficiais, que podem ser usados em alguns casos, devem ser feitos com cautela e sempre indicados e acompanhados por um dermatologista. Os peelings químicos são contra-indicados durante a gestação.

6. Lasers e Luzes – nunca devem ser considerados uma forma de cura ou salvação ou mesmo utilizados como tratamento único. O Laser Nd:Yag QS tem alta afinidade pela melanina e não provoca aquecimento da pele. Por isso é o melhor laser para tratamento do melasma disponível atualmente. Na tentativa de evitar o rebote, a luz intensa pulsada, quando utilizada, deve ser sempre com baixa intensidade, distribuída em um maior número de sessões. Quando falamos em “Tratamento a Laser para Melasma” estamos falando de tecnologias com resultados bons, mas que devem ser executadas por um profissional treinado e que tenha muito cuidado e critério na escolha do melhor tratamento. O uso de lasers não é recomendado nas gestantes. Durante o aleitamento, em tese, eles podem ser usados, porém com muita cautela, por conta dos índices do hormônio responsável pela pigmentação, que se mantém elevado cerca de seis meses após o parto.

7. Microagulhamento – nova técnica utilizada com excelentes resultados, promove além do clareamento, estímulo de colágeno, deixando a pele mais firme, iluminada e homogênea.

Nem todas as mulheres respondem de maneira idêntica aos tratamentos para amenizar o melasma. Mesmo nos casos que atingem resultados mais rápidos é muito importante manter o tratamento com disciplina para que haja uma estabilização dos melanócitos que produzem melanina na pele. Portanto, o tratamento deverá ser contínuo, sob a supervisão e orientação do dermatologista.